Liberais de quermesse – Jornal Floripa


“Reze por mim.” Segurando meu braço, esse foi o último pedido do meu tio, numa cama de hospital depois de ser baleado em uma tentativa de assalto no Rio de Janeiro. Infelizmente, ele não resistiu e ainda levou minha avó junto, pois ela, que tinha diabetes, simplesmente parou de se cuidar, desesperada por perder seu filho de forma tão brutal.

Quando o presidente diz “eu quero todo o mundo armado”, ele semeia o caos e a morte. A ciência é clara: no contexto brasileiro, cada medida que facilita compra e uso de armas resulta em aumento de homicídios e suicídios. O estatuto do desarmamento está sendo corroído pouco a pouco, e, se o número de homicídios é um absurdo hoje, seria ainda maior caso o estatuto não estivesse em vigor.

Schneider (2019) encontra que a entrada em vigor do estatuto, em 2003, reduziu o número de homicídios por armas de fogo em 12,2%. Mas o autor talvez encontra a razão pela qual o governo não se importe muito com esses dados. A maior redução é nas áreas de maior criminalidade e entre jovens negros.

Duas semanas depois de assumir o cargo, o presidente assinou decreto para facilitar a aquisição e o registro de armas. Em maio de 2019, outro decreto ampliou o porte de armas em todo o país (em junho, ele foi revisado).

Não satisfeito, em abril deste ano, o presidente pressionou o Exército a revogar três portarias de controle de armas. Essas portarias dificultavam acesso do crime organizado a armas e munições desviadas de quartéis. O governo também chegou a permitir que civis comprassem até 5.000 munições, por mês, para suas armas.

Facilitar a compra de armas também contribui para aumentar significativamente o número de suicídios. Em estudo de Studdert e coautores, homens que têm uma arma são oito vezes mais propensos a se suicidar, e mulheres, 35 vezes mais.

A visão do liberal de quermesse no qual o porte de uma arma protege a família de qualquer possível assalto é um sonho sem sentido, fruto de ver muitos filmes de faroeste na infância. Vários estudos mostram que ter uma arma aumenta a probabilidade de uma pessoa morrer em um incidente violento e diminui a chance de resolver o incidente, sem nenhum dano, material ou físico.

Nos últimos 20 anos, foram mais de 1 milhão de homicídios no Brasil. A história da minha família está longe de ser a única. A redução da violência passa, entre outras medidas, por um controle estrito das armas de fogo no país. É o contrário do que o presidente do Brasil pretende e tem feito como medida de política pública.

Toda a evidência científica aponta que a desregulamentação, mesmo que parcial, do uso de armas de fogo vai trazer uma consequência trágica para a nossa sociedade: o número de homicídios vai disparar.

A única consequência ruim do maior controle de armar é que a redução do número de homicídios diminui a quantidade de órgãos disponíveis para transplante. Convenhamos, não é esse o objetivo de política pública.

Temos que combater a ideia de que um indivíduo armado está mais protegido. Em raros casos, até acontece. Mas o mais comum é que alguém armado se torne um criminoso em potencial, usando a arma em uma discussão de trânsito, violência doméstica, ou mesmo na festa do bairro. São pouquíssimas as pessoas que realmente têm o treinamento para andar armadas e se proteger.

Cada arma nas ruas é um aumento no número de assassinatos no Brasil. Vamos pagar por esse governo com as nossas vidas




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