O Novo Normal – InfoArmas


O Novo Normal

As miras Red Dots estão no mercado há décadas. Nos anos 80 já não eram mais considerados novidades em carabinas e fuzis. Mas foi nos anos 90 que atletas de IPSC e USPSA passaram a acoplar esses Red Dots em pistolas.

Como ainda se tratavam de Red Dots para armas longas, a adaptação era feita com um trilho semelhante a um picattinny parafusado na lateral da armação da pistola. Dessa forma, os Red Dots não eram afetados pela ciclagem do ferrolho, o que preservava a durabilidade do aparelho e mantinha o zero por muito mais tempo.

Pistola de competição Típica dos anos 90

O resultado estético não era bom. Do ponto de vista operacional, a arma ficava inviável de ser utilizada em um coldre convencional de serviço, menos ainda em coldre velado. Mas uma coisa era certa: os atletas que utilizavam Red Dot eram tão mais rápidos e precisos que precisaram ser separados em uma divisão específica.

A primeira vez que eu me lembro de ver um Red Dot em uma pistola foi em 2009, nas mãos do meu amigo pessoal, o atleta Carlos Terra. Era um Aimpoint Tubular acoplado em uma Imbel calibre .38 Super Auto, customizada para a divisão OPEN.

Desde aquela época o futuro já estava escrito. Os resultados doa atletas da OPEN já mostravam que a indústria tinha uma diretriz:

1 – Reduzir a escala dos componentes de um Red Dot;

2 – Manter a robustez da carcaça para o uso operacional;

3 – Reduzir o peso do conjunto para permitir acoplagem diretamente no ferrolho das pistolas.

4 – Expandir a durabilidade da bateria.

Os desafios técnicos eram enormes, levaram muitos anos para serem superados, mas só assim para um Red Dot poder ser acoplado em uma pistola de combate ou defesa pessoal. E já fazem alguns anos que a indústria vem apresentando produtos cada vez melhores, mais robustos e mais confiáveis. E, ano após ano, os mini red dots estão cada vez mais presentes nos coldres dos competidores, dos policiais e dos militares de forças especiais.

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Red Dot Trijicon RMR em uma pistola de porte velado

Mas quais os benefícios práticos de se usar um Red Dot em uma pistola?

Primeiramente é importante dizer que um Red Dot não vai compensar maus fundamentos de glock“>tiro. Um atirador ruim não vai se tornar um bom atirador só porque instalou um Red Dot. Inclusive o mais provável é que o red dot torne as coisas ainda mais difíceis para o atirador medíocre. Como se fosse uma lupa, o Red Dot vai potencializar a sua performance. Se você tiver uma boa performance, ficará ainda melhor com o red dot. Se a sua performance for ruim, ficará pior ainda.

Mas considerando um atirador com fundamentos sólidos, o Red Dot vai permitir que ele atire com os dois olhos abertos, focando no alvo sem problema algum. E isso vai deixar o atirador mais rápido nas transições de alvo, mais preciso e mais confiante, especialmente a distâncias maiores.

Para defesa pessoal, é evidente os benefícios táticos de se atirar com ambos os olhos abertos focando na ameaça e sem perder a referência do aparelho de pontaria. O famoso e polêmico “glock“>tiro instintivo” perde o sentido aqui. O atirador, mesmo sob forte adrenalina, vai apontar para a ameça e ver claramente o ponto vermelho brilhante marcando o ponto de impacto antes de pressionar o gatilho. E se esse ponto vermelho não aparecer na linha de visada, é porque o tal “glock“>tiro instintivo” será um glock“>tiro perdido.

Para o uso policial, o red dot vai propiciar uma maior acurácia e eficácia nos confrontos envolvendo troca de glock“>tiro, favorecendo o policial e minimizando os efeitos colaterais de disparos perdidos. Isso representa um incremento enorme na segurança do agente da lei, tanto na questão física quanto na questão jurídica.

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Pistola de porte com red dot acoplado em um coldre velado

Outro benefício do red dot é para quem tem particularidades relacionadas à visão, como vista cansada, hipermetropia, doenças degenerativas, etc. A nossa visão, especialmente a masculina, vai se deteriorando rápido após os 40 anos e isso faz com que muitos passem a ter muita dificuldade de usar os aparelhos de pontaria tradicionais. Não é atoa que os micro red dots têm representado aos pistoleiros mais velhos, a volta do prazer ao atirar.

Até mesmo para quem tem dominância cruzada, o red dot vai ser uma solução prática para as principais dificuldades que estes atiradores experimentam usando alça e massa.

Ok, mas e quanto aos pontos negativos?

O primeiro revés aqui é que o Red Dot é um aparelho eletrônico sujeito a falhas e que depende de uma bateria para funcionar. Ele pode quebrar, falhar, ficar sem carga, queimar o LED, arranhar o vidro, sujar, etc. Por isso muitos usam o red dot em conjunto com alça e massa desenvolvidas para uso com supressores, que são mais altas, permitindo que o atirador faça a visada tradicional como Backup, por cima do red dot, em caso de falha no aparelho óptico.

Outro ponto negativo é a água. Em caso de submersão ou chuva, ainda que o red dot seja a prova d’água, a lente molhada vai comprometer a projeção do LED, causando efeitos de distorção e até gerando miragens. Se o vidro do seu red dot estiver ensopado com gotículas de água, gordura ou lama, é possível que você veja múltiplos pontinhos vermelhos em posições diferentes. Por isso a importância novamente de se ter miras back-up em armas de defesa e uso policial.

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Efeito do excesso de água nas lentes do Red Dot

O coldre do atirador também deve ser adaptado para usar red dot. Seja um coldre velado ou um coldre de cintura, ele deve ter um “corte” especial para calçar o aparelho. Logo, tenha certeza de comprar um modelo certo para uso com red dot. Se a aplicação for uso mais extremo, como atividade policial ou militar, será necessário, ainda, um coldre especial com proteção para o red dot. A Safariland produz excelentes opções para isso, porém, são coldres caros.

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Por fim, Red Dots quebram… Sim! Saiba, de antemão, que por mais que você compre o melhor dos melhores e que você cuide muito bem do seu precioso Red Dot, um dia ele vai quebrar… Testes mais honestos vêm mostrando que mesmo os red dots mais caros do mundo não sobrevivem muito mais que 20 ou 30 mil disparos. Os atletas que competem na Production Optics também vêm percebendo isso. Lembrem-se que quando os red dots eram usado na OPEN, eles eram acoplados à armação da pistola por um trilho lateral, ficando livres da influência das acelerações violentas à que os ferrolhos das pistolas são submetidos. Então não tem jeito… Red dot para pistolas modernas têm vida útil.

Em resumo, é isso… Há tempos eu venho repetindo o que eu ouvia de amigos e instrutores com quem eu treino nos EUA de que os Red Dots em pistolas chegaram para ficar e serão o futuro daqui para frente. Assim como já é cada vez mais difícil ver um fuzil moderno com miras abertas (mesmo em tropas de infantaria regular), com o passar do tempo, provavelmente ficará cada vez mais raro ver pistolas sem red dot. É o “novo normal” e, especialmente nós instrutores, devemos conhecer, experimentar e, se possível, investir em capacitação para com essa nova realidade.






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